Seminário realizado na Fundacentro fundamentou
decisão
Por ACS/C.R. em 24/07/2014
A subcomissão indicada pela Comissão Nacional
Permanente do Benzeno – CNPBz, para discutir a atualização da portaria nº 34 do
MTE, de 2001, que estabeleceu um indicador biológico de exposição ao benzeno,
decidiu que será necessário incluir um novo indicador biológico para avaliar a
exposição ocupacional a este agente cancerígeno: o ácido fenil mercaptúrico.
Esse indicador é recomendado para situações de baixa concentração de benzeno no
ar, por ser mais específico e não sofrer influência dos hábitos alimentares.
Essa decisão foi tomada durante oficina realizada
na Fundacentro, em São Paulo, no dia 23 de julho, após o Seminário para Revisão
do Protocolo para a Utilização de Indicador Biológico da Exposição Ocupacional
ao Benzeno, que também ocorreu na instituição, mas no dia anterior.
Na avaliação da representante da Bancada do Governo
na CNPBz, Arline Arcuri, que é pesquisadora da Fundacentro, o seminário foi
bastante produtivo e mostrou a necessidade de mudanças.
Os critérios para a utilização do ácido fenil
mercaptúrico começarão a ser discutidos em oficina de trabalho na Bahia no dia
2 de setembro. Esse encontro antecede a reunião da CNPBz, que acontece no mesmo
local, entre 3 e 5 de setembro.
O ácido trans, trans-mucônico, que consta no
Protocolo para a Utilização de Indicador Biológico da Exposição Ocupacional ao
Benzeno de 2001, continuará sendo usado. Ambos os indicadores são dosados a
partir de exame urinário. Com esse monitoramento, é possível avaliar se o
trabalhador está exposto ao benzeno.
O benzeno é uma substância química cancerígena,
presente no petróleo, na gasolina, nas indústrias que o produzem ou o utilizam
como matéria prima, na queima de carvão mineral e em solventes. O contato com o
produto pode levar a alteração e diminuição das células do sangue, aborto e má
formação de fetos, diminuição do sistema de defesa do corpo, vários tipos de
câncer, zumbido e surdez, depressão e alterações de comportamento.
Debate
O seminário realizado em 22 de julho serviu para
fundamentar a inclusão do novo indicador biológico. Durante o evento,
pesquisadores de diversas instituições apresentaram estudos relacionando os
indicadores biológicos de exposição e o benzeno.
A pesquisadora da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, Solange Garcia, apresentou um estudo com 57 trabalhadores de
postos de gasolina de Santa Maria e 37 de Santa Cruz sobre os biomarcadores de
exposição e o biomonitoramento em relação ao benzeno.
Os frentistas apresentaram valores aumentados de
benzeno e tolueno em comparação aos não expostos. Também houve casos de
trabalhadores com baixo índice de hemoglobina, com limites de vitamina C
inferior e alteração celular. Em longo prazo, os trabalhadores podem sofrer com
anemia e ter o sistema imunológico comprometido.
“Nesse trabalho mostramos que além do dano do DNA
há um dano proteico”, afirma a pesquisadora gaúcha.
Outro aspecto ressaltado por Solange Garcia é que
exposições inferiores a 1 ppm aumentariam as atividades das enzimas
biotransformadoras. “Qualquer exposição ao benzeno é um problema”, conclui.
Já a pesquisadora da Universidade Federal de
Alfenas/MG, Isarita Sakakibara, falou sobre os diferentes indicadores de
exposição ao benzeno, apontando vantagens e desvantagens. A amostragem
interfere muito no resultado, por isso ela recomenda que a coleta seja
realizada no final da jornada de trabalho, após, no mínimo, três dias
consecutivos de exposição.
Ainda apontou que o bioindicador de exposição ou de
dose interna não serve para diagnóstico. Fez referência ainda a outro tipo de
bioindicador, o de susceptibilidade, que apesar de importante
toxicologicamente, suscita questões éticas, e por isto não deve ser usado como
critério de seleção.
“A universidade não pode produzir conhecimento
isolado, é preciso dar um retorno para a sociedade e agora que me sinto fazendo
isso”, finaliza Isarita Sakakibara.
A pesquisadora da Universidade Federal de Minas
Gerais, Leiliane Amorim, também discutiu a questão ética dos biomarcadores de
susceptibilidade. Há ainda os biomarcadores de exposição e os de efeito. É
importante o conhecimento dos valores de biomarcadores da população não
exposta.
Em sua avaliação, os estudos com biomarcadores são
uma forma de agregar valor à análise. Leiliane Amorim ressaltou que o ácido
fenil mercaptúrico tem um potencial a ser considerado e é o que ela usa em seus
estudos.
Tarcísio Buschinelli, professor da Pós-Graduação da
Fundacentro, em sua apresentação, defendeu que os indicadores de
susceptibilidade não devem ser usados em saúde do trabalhador. Além disso, os
Indicadores Biológicos de Exposição – IBEx devem obrigatoriamente ter relação
com a concentração ambiental a que o trabalhador está exposto.
A mestranda Rafaela Gomes, da Universidade Federal
de Ouro Preto/MG, por sua vez, apresentou um método analítico para a
determinação do ácido trans, trans-mucônico. A exposição conjunta ao benzeno e
tolueno diminui a concentração urinária desse indicador biológico. Para ela, o
ácido fenil mercaptúrico é um indicador mais interessante para a exposição ao
benzeno.
O seminário também contou com a palestra de Jaime
Leyton, diretor da Toxikón, que expôs resultados de três empresas, sujeitas a
três níveis de exposição diferentes. Para ele, o ácido trans, trans-mucônico
mostra-se um bom IBE para os níveis de exposição atuais.
As apresentações em PDF dos palestrantes serão
disponibilizadas no site da Fundacentro, em Eventos Realizados.
Fonte: Fundacentro
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