segunda-feira, 16 de julho de 2018

Congresso de SST acontecerá em agosto em SPDivulgação


                                                             Divulgação
Data: 13/07/2018 / Fonte: Redação Revista Proteção 

São Paulo/SP - Falta pouco para o maior congresso multidisciplinar da área de SST do país. De 1 a 3 de agosto, técnicos e tecnólogos de Segurança do Trabalho, engenheiros, médicos, ergonomistas, fisioterapeutas, higienistas, peritos, entre outros, se reunirão no Centro Universitário Senac, em São Paulo/SP, para participar do Congresso Brasileiro de Saúde e Segurança no Trabalho 2018. 

Realizado pela Proteção Publicações e Eventos, o encontro tem como objetivo promover um debate multidisciplinar sobre temas importantes da SST, com destaque para os impactos do eSocial e da Reforma Trabalhista no setor prevencionista, além de outros temas ligados ao dia a dia e às perspectivas futuras da SST no Brasil. "Outro ponto importante do Congresso é a apresentação dos cases vencedores do Prêmio Proteção Brasil 2018, que este ano teve recorde de participantes, demonstrando que esta distinção é reconhecida em todo o país. E para arrematar a programação, contamos com uma grande quantidade de trabalhos acadêmicos que serão apresentados", adianta o diretor da realizadora do evento, Alexandre Gusmão, que está na organização do encontro.

Criado em 2005, o Prêmio Proteção Brasil reconhece o esforço de empresas de todas as regiões do país em prol da segurança e saúde do trabalhador dentro do ambiente laboral em diversas categorias, como Trabalho em Altura, Higiene Ocupacional e Gerenciamento de Riscos. A cerimônia que premiará os vencedores das cinco categorias regionais e da categoria nacional acontecerá na sexta-feira (3), a partir das 19h30min.

CURSOS PRÉ-EVENTO
No decorrer da quarta-feira (1) serão ministrados seis cursos pré-congresso. A advogada com especialização em gestão de RH e transdisciplinaridade, legislação trabalhista e previdenciária, Nilza Machado, abordará o tema `eSocial: a visão do futuro de SST, desafios, riscos e oportunidades. Já o advogado e engenheiro de Segurança do Trabalho Edwar Abreu Gonçalves, juiz do trabalho aposentado, tratará das perícias judiciais trabalhistas em Segurança e Saúde no Trabalho.

A segurança em trabalhos com eletricidade e o gerenciamento para atendimento dos requisitos da NR 12 - Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos serão apresentados pelos engenheiros de segurança e higienistas ocupacionais Luiz Carlos de Miranda Jr e João Baptista Beck Pinto, respectivamente. Carlos Maurício Duque dos Santos, mestre e doutor em Engenharia da Produção com ênfase em Ergonomia, ensinará os participantes a elaborarem uma análise ergonômica conforme a NR 17 e o eSocial. Por fim, o higienista ocupacional Marcos Domingos falará da `Higiene Ocupacional aplicada ao eSocial’.

PROGRAMAÇÃO TÉCNICA
Na quinta-feira (2), a conferência de abertura do Congresso contará com a presença do médico especialista e professor de Saúde Pública e Medicina do Trabalho, René Mendes, que abordará os desafios para os profissionais de SST frente às transformações do mundo do trabalho. Após, Edwar Abreu Gonçalves e o presidente do Seconci SP, Haruo Ishikawa, debaterão as consequências da nova lei trabalhista para os trabalhadores, empresas e profissionais de Segurança e Saúde no Trabalho. 

Reconhecendo a importância do congresso, Edwar comenta que a Reforma Trabalhista, tem sido muito impactante para as relações trabalhistas, especialmente porque implementada num momento de grave crise nacional. Suas múltiplas consequências são perceptíveis, como, por exemplo, a redução, quase à metade, do quantitativo subsequente de reclamações trabalhistas perante a Justiça do Trabalho, inclusive nos pleitos atinentes à segurança e saúde ocupacionais. "Malgrado os artigos que disciplinam especificamente a SST tenham permanecido intactos, impõe-se destacar que várias outras modificações legais perpetradas pela Reforma em outros dispositivos específicos, como flexibilização da jornada de trabalho e trabalho de gestantes em ambientes insalubres podem gerar repercussões negativas para a infortunística obreira. Daí porque, nada melhor que um evento multidisciplinar e de dimensão nacional como este Congresso", adianta.

No decorrer do dia ocorrerão ainda mais quatro palestras (A mulher e a nova lei trabalhista; Impactos da NR 12 nas empresas e o eSocial; Riscos psicossociais; Comportamento, motivação e atitude), a apresentação de seis cases de boas práticas em SST e a cerimônia do Prêmio Top of Mind.

O último dia do evento também contará com palestras e compartilhamento de experiências de empresas em relação à segurança e saúde de seus trabalhadores. Entre eles, o médico do Trabalho e bacharel em direito, João Baptista Opitz Neto, abordará o absenteísmo e presenteísmo e como os programas de Qualidade de Vida no Trabalho influenciam nesses indicadores. "Este tema é fundamental para todas as empresas. No Brasil, infelizmente, indicadores como estes ainda são pouco utilizados e até mesmo negligenciados. Muitas empresas sequer cumprem com as normas de SST, o que diremos da aplicação e implementação de programas de QVT?", pontua o palestrante.

As inscrições para o Congresso Brasileiro de SST podem ser feitas pela Loja Virtual Proteção ou pelos telefones (51) 2131-0400 / (11) 4062-5454 ou email treinamento@protecaoeventos.com.br. Mais informações no site https://protecaopublicacoes.wixsite.com/congressosst2018.


Leia mais: 

Fonte: http://www.protecao.com.br/noticias/eventos/congresso_de_sst_acontecera_em_agosto_em_sp/Jyy5AJy4Jy/12532

terça-feira, 26 de junho de 2018

Lições que a Copa do Mundo mostra ao mundo corporativo

É preciso saber escutar os feedbacks, tanto no trabalho como na vida

A Copa do Mundo reúne os melhores jogadores do planeta, mas nem mesmo os melhores escapam de julgamentos. Pelo contrário, quanto mais visibilidade, maior a cobrança. É possível, mesmo assim, seguir rendendo e conquistando resultados surpreendentes? “Um jogador, assim como qualquer profissional, deve praticar uma lição diariamente. É preciso saber escutar os feedbacks, tanto no trabalho como na vida. Entender como os outros veem você e suas atitudes, sondar se tem colecionado mais críticas ou elogios. Tudo isso é oportunidade para crescer”, analisa a coach da Effecta Coaching, Janaina Manfredini.

Janaina reforça que dar e receber feedbacks pode ficar mais fácil e gerar mais resultados com técnicas e mentalidade positiva e aberta. “Nem sempre gestores e líderes são capacitados para isso, então a busca pelo conhecimento é sempre muito importante. Através do treinamento Liderança Transformacional, que já está com as inscrições abertas para a 26ª edição, desenvolvemos pessoas para se tornarem líderes capazes de desenvolver equipes de alta performance através de ferramentas como o Feedback”, conta.

Que tal não sofrer com esse processo e adotar uma posição de saber ouvir, pensar e se desenvolver com o feedback? Anote quatro dicas para transformá-lo em ações positivas:

Controle seus pensamentos: coloque toda a sua atenção no que está sendo falado, contenha o ímpeto de querer interpretar ou julgar no ato cada trecho da conversa e nem pense em interromper quem fala. Esse não é um momento para emoções. Faça um esforço para deixá-las em segundo plano e resista à tentação de dramatizar. Para crescer, é preciso ter postura humilde e aberta.

Evite impulsos de fuga ou ataque: é fácil nos sentirmos ameaçados quando recebemos críticas, mas apesar de instintivos, os impulsos de fugir ou atacar não nos trazem nenhum benefício nesse momento. Posturas de confronto, como fazer comentários agressivos ou irônicos, podem degringolar a conversa e até prejudicar a relação com o chefe. Da mesma forma, é importante saber fugir de atitudes passivas demais. Tudo na vida é questão de equilíbrio.

Repita a mensagem: em voz alta, quando seu chefe parar de falar, faça um resumo de tudo o que foi dito. Essa técnica se chama espelhamento e facilita a compreensão, mostrando ao outro que você estava atento. Também é a chance de esclarecer pontos que tenham sido vagos. Por exemplo, o que quer dizer “comprometimento” para o seu superior? Dessa forma vocês alinham conceitos e fazem com que os feedbacks rendam ações positivas a serem colocadas em prática.

Reflita sobre o que foi dito: o segredo é fazer isso depois, sozinho e com a cabeça fria. Sem a armadilha das emoções é menor a chance de você transformar o papo em um golpe contra a sua autoestima ou em culpa. Retome os fatos, pense nos exemplos citados e compare com a sua visão. Lembre-se: quanto mais sincero você for consigo mesmo, melhor! Evoluir é um processo desafiador, mas os resultados compensam.

Fonte: http://www.mundorh.com.br/licoes-que-a-copa-do-mundo-mostra-ao-mundo-corporativo/

Treinamentos não podem ser vistos como um peso para as organizações

Os treinamentos são muito importantes no desenvolvimento dos profissionais

O treinamento está se tornando algo cada vez mais esporádico dentro das organizações. Entre os motivos, está o alto custo, a necessidade de tirar os funcionários de suas funções por determinado tempo e a falta de assertividade. Como o retorno dos treinamentos não tem sido tão positivo quanto poderia, as empresas estão investindo cada vez menos nesses programas e os colaboradores acabam sendo prejudicados.

Parar de fazer algo quando não está mais percebendo bons resultados é comum, ao invés de tentar identificar os problemas e buscar soluções para resolvê-los, é uma atitude que faz parte da nossa natureza. Se a forma com que o treinamento na sua empresa é aplicado não está devolvendo resultados positivos, a solução não é parar de aplicá-los, mas, sim, rever os modelos e práticas e encontrar formas que façam mais sentido para seus funcionários.

Treinar e capacitar os colaboradores não pode ser considerado um custo a mais, um peso para o orçamento. Os treinamentos são muito importantes no desenvolvimento dos profissionais, pois os capacitam a realizar um bom trabalho e contribuir para o crescimento da empresa. Além disso, esses programas também contribuem para o engajamento do funcionário, pois é uma forma de investir na sua carreira profissional, e conhecimento e experiência é algo que ele pode levar para o resto da vida.

Novos modelos de treinamento
Se o programa de treinamento da sua empresa não está dando certo, talvez seja o momento de rever o modelo aplicado e pensar em novas formas de treinar os funcionários. Um dos problemas dos treinamentos de hoje é que os funcionários não acreditam muito na sua eficácia. Passam algumas horas escutando uma pessoa falar e absorvem poucas informações relevantes que vão o ajudar de fato no trabalho.

A forma que aplicamos treinamentos é chata e cansativa, não mexe com o lado criativo dos profissionais e não desperta a curiosidade deles sobre o assunto tratado. Para engajar, esses treinamentos precisam trazer para perto os funcionários, envolvê-los com atividades que coloquem o aprendizado em prática naquele momento.

A tecnologia também ampliou nossas possibilidades de capacitar as equipes. Hoje, é possível unir especialistas de todo o mundo em um único lugar e entregar uma solução online de treinamento ao colaborador, que também tem a possibilidade de criar seu próprio cronograma de aprendizado, sem prejudicar suas tarefas do dia a dia.

Investir no treinamento dos funcionários não é apenas mais um gasto financeiro, pois o capital humano é o bem mais importante de uma organização e capacitar a força de trabalho é primordial para melhorar os resultados da empresa e obter crescimento nos negócios. Os treinamentos são investimentos que dão retorno em longo prazo, mas, mesmo que leve tempo, são resultados compensadores e que fazem a diferença.

Por Juliane Yamaoka, gerente geral da Efix

Fonte: http://www.mundorh.com.br/treinamentos-nao-podem-ser-vistos-como-um-peso-para-as-organizacoes/

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Normas Regulamentadoras: 40 anos de prevenção

                       Shutterstock

Data: 01/06/2018 / Fonte: Redação Revista Proteção/Martina Wartchow 

Há quatro décadas, em um período no qual o Brasil destacava-se negativamente diante do mundo em número de mortes por acidentes ocupacionais, a elaboração das primeiras 28 Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho, oficializadas pela Portaria nº 3.214, de 8 de junho de 1978, deu início a uma revolução da Segurança e Saúde no Trabalho no país. As consequências positivas vêm sendo constatadas ao longo dos anos, não somente na queda das assustadoras estatísticas, mas, também, no incentivo à construção de uma cultura prevencionista dentro das empresas, na formação de profissionais do segmento e na evolução do mercado de equipamentos e serviços voltados à proteção dos trabalhadores.

As NRs foram criadas para regulamentar os artigos 154 a 201 do Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, que trata da Segurança e da Medicina do Trabalho, alterado pela Lei 6.514, de 22 de dezembro de 1977 e que absorveu o conteúdo de vários documentos legais esparsos sobre o tema, destacando-se aqueles referentes à insalubridade e à periculosidade. Elas contribuem para preservar a vida e a dignidade da pessoa, princípios previstos na Constituição Federal, pois estabelecem as condições mínimas de SST referentes à exposição aos agentes físicos, químicos e biológicos nos ambientes laborais.

Passados 40 anos, os benefícios trazidos pelas normas são reconhecidos e celebrados por todos os interessados. Ao mesmo tempo, é apontada a necessidade de melhorias, no sentido da harmonização e do aprimoramento de seus textos e da forma como são elaboradas e atualizadas, para ampliar seu cumprimento e a consequente prevenção.

Confira a reportagem completa na edição de junho da Revista Proteção.

Fonte: http://www.protecao.com.br/noticias/leia_na_edicao_do_mes/normas_regulamentadoras:_40_anos_de_prevencao/Jyy5A5y4AJ/12440

terça-feira, 29 de maio de 2018

29 de maio: no Dia Mundial da Energia, saiba o que esperar dela para os próximos anos


Rodrigo Salim, Líder de Digital e Distribuição de Energia para a GE Power, Grid Solutions fala sobre os desafios e caminhos que nos esperam quando o tema é energia

Você já pensou em quanto, atualmente, é dependente da energia elétrica? (Foto: ThinkStock)

Levanta a mão quem já chegou à casa de um conhecido, a um restaurante ou mesmo a uma reunião de negócios e perguntou: tem alguma tomada que eu possa usar? É curioso pensar que essa situação, tão corriqueira hoje em dia, não faria nenhum sentido vinte anos atrás. E ela exemplifica muito bem como estamos cada vez mais dependentes de energia elétrica. Sem ela, nossa vida profissional e pessoal podem ser muito prejudicadas. A mesma lógica vale para empresas, órgãos governamentais, hospitais, meios de transporte etc. Nossa sociedade, cada vez mais digitalizada, vê crescer a demanda por energia.

Mas não se trata de uma questão meramente quantitativa. A grande mudança será qualitativa, com a implementação de redes que sejam acessíveis, confiáveis, eficazes e inteligentes. Estamos falando do “smart grid”, que promete ter impactos significativos para a economia e o meio-ambiente.

A seguir, Rodrigo Salim, Líder de Digital e Distribuição de Energia para a GE Power, Grid Solutions, comenta quais são os desafios e as oportunidades que nos aguardam nesse caminho.

CPOF: Como a digitalização afeta o monitoramento e manutenção das redes e que resultados isso traz pra sociedade, na prática?

SALIM: A distribuição de energia é o elo mais complexo da cadeia, uma vez que é muito capilar (tem que chegar até a residência de todos!). A digitalização ajuda na distribuição de energia ao reduzir a duração e a frequência de falhas no sistema. Com a digitalização, é possível passar de uma estratégia reativa de manutenção, onde se espera ocorrer uma falha e daí resolvê-la, para uma estratégia preditiva de manutenção, onde se prevê a ocorrência de uma falha e se trabalha antecipadamente, evitando que ela ocorra ou reduzindo o tempo que os consumidores ficam sem energia elétrica.

O monitoramento passa a ser muito mais amplo, indo além dos dados técnicos do sistema para incluir informações climáticas, de trânsito, da vegetação etc. Todas estas informações são utilizadas em um algoritmo computacional, cujos resultados contribuem para uma melhora nos índices de continuidade dos sistemas de distribuição.

CPOF: Do ponto de vista do consumidor, o que podemos esperar? A que tipo de informações ele poderá ter acesso e que tipo de decisões poderá tomar?

SALIM: No caso do consumidor final, ele pode entender muito melhor seu padrão de consumo na medida em que os medidores passam a ser inteligentes. A informação do perfil de consumo, que antes era mensal, poderá ser averiguada diariamente. Com a regulamentação que deve entrar em vigor, fixando a tarifa branca para o consumidor residencial, ele passa a ter mais poder sobre como usa energia. Vale a pena lavar ou passar a roupa no horário de pico (18h) e pagar mais? Ou é melhor fazer isso à noite (21h) e economizar? Os medidores inteligentes também permitem uma medição bidirecional na sua residência, permitindo que você venda a sua energia (gerada por um painel solar, por exemplo). Hoje, somente podemos fazer o “net metering”, que não é efetivamente a venda, mas a tecnologia já está disponível para permitir também a venda. Além disto, medidores inteligentes enviam informações importantes para a própria distribuidora, especialmente quando ocorre uma falha no sistema, informando que aquele consumidor está sem energia. Com isto, a distribuidora pode agir muito mais rapidamente.

CPOF: Você mencionou a possibilidade de o consumidor gerar e vender energia, e gostaria que você falasse mais sobre isso. Recentemente, o governo anunciou um plano de financiamento para microgeração de energia solar no país, incentivando, por exemplo, a instalação de placas fotovoltaicas em residências e estabelecimentos comerciais. Que oportunidades advêm da descentralização no sistema energético?
SALIM: A oportunidade está relacionada com o desenvolvimento de uma matriz energética cada vez mais limpa e menos dependente de fontes poluidoras. O consumidor passa a ser parte ativa no processo de geração de energia e se torna muito mais interessado em como a energia chega na sua casa. Isso tudo é muito importante para o desenvolvimento de qualquer país no século 21, e o Brasil tem muitas vantagens nesse sentido. Pense que a cidade com maior irradiação solar na Alemanha (país pioneiro e um dos líderes mundiais nesse tipo de sistema) possui uma irradiação média anual menor do que a nossa capital estadual com a menor irradiação solar. O recurso energético é abundante no país e podemos desenvolvê-los rapidamente, uma vez que a tecnologia está bem madura hoje.

CPOF: E quais são os desafios?

SALIM: Para a implementação desses sistemas, não vejo desafios grandes em termos de regulamentação, exceto no que se refere à criação de uma tarifa binômia que permita o correto direcionamento do custo de utilização da rede de distribuição, o que hoje não temos no Brasil. Mas, com a integração em grande escala desses sistemas, os desafios em relação a planejamento e operação da distribuição passam a ser grandes. A geração solar é bastante intermitente – picos ou vales podem ocorrer rapidamente e é preciso que o sistema esteja pronto para lidar com esta variabilidade. Além disso, o início da noite passa a ser crítico para a operação do sistema, pois o crescimento da carga coincide com a redução da geração dos painéis solares, e a entrada de grandes blocos de geração se faz necessária para atender toda essa demanda. Algumas tecnologias, como sistemas de bateria, podem reduzir esses impactos, mas ainda não têm regulamentação no Brasil.

CPOF: Outra tendência que promete ter grande impacto no cenário urbano nos próximos anos é a popularização de veículos elétricos, o que também requer uma readequação da infraestrutura urbana e rodoviária, com a oferta de postos para recarga. Mas, por enquanto, ainda não temos uma regulamentação da Aneel para eletropostos. Em que cidades ou países a presença dos veículos elétricos é mais forte hoje e o que é possível aprender com essas experiências?

SALIM: China e Estados Unidos hoje são os líderes, em número absoluto, na frota de veículos elétricos. Já a Noruega é a líder em números percentuais. O que esses três países têm em comum são metas agressivas para a redução da emissão de carbono em conjunto com incentivos fiscais que permitem um acesso mais fácil a estes veículos. Essas experiências ensinam que as regulamentações governamentais devem tanto acompanhar os anseios da população como contribuir para que o país alcance as metas nacionais que se impõe.

CPOF: Como você comentou, essa mudança no sistema de transportes se relaciona diretamente com a questão ambiental. Afinal, a queima de combustíveis fósseis é uma das grandes causas do aquecimento global. Como os “smart grids” podem contribuir para a disseminação de fontes renováveis de energia?

SALIM: As fontes renováveis menos agressivas ao meio ambiente são a solar e a eólica. Ambas tecnologias possuem uma intermitência intrínseca, devido à possibilidade de variação brusca de sol ou vento. Isso pode trazer problemas técnicos para a operação do sistema elétrico de maneira geral. As tecnologias que compõem os “smart grids” (como baterias, medições fasoriais sincronizadas, restauração automática da distribuição, entre outras) ajudam o sistema a lidar com esta intermitência. Com isto, o sistema passa a operar com maior segurança e confiabilidade e permite que maiores percentuais de geração solar e eólica possam ser utilizados, reduzindo ainda mais a nossa dependência de fontes de energia que injetam carbono na nossa atmosfera.

CPOF: Uma mudança abrangente do sistema energético rumo à digitalização prevê, é claro, investimento. Que medidas, a seu ver, são prioritárias (e viáveis) em um cenário de crise econômica, como o que o País atravessa? Que vantagens elas trariam?

SALIM: Em um cenário de crise econômica, o business case passa a ser a eficiência operacional das empresas de geração, transmissão, e distribuição de energia. A automação de redes de distribuição é um caso de sucesso em diversas distribuidoras do mundo. A gestão de transformadores baseada em medições online de gases também. E o mesmo vale para soluções de “digital twins” em turbinas para a geração de energia. Todas essas são prioridades, cada uma em seu segmento, e podem ajudar as nossas empresas a serem mais eficientes e atingirem com maior sucesso as suas metas.

Fonte: https://epocanegocios.globo.com/Caminhos-para-o-futuro/Energia/noticia/2018/05/29-de-maio-no-dia-mundial-da-energia-saiba-o-que-esperar-dela-para-os-proximos-anos.html

Ministério do Trabalho divulga consulta pública na NR-35 para ampliar visibilidade do tema

A Comissão Nacional Tripartite Temática da NR-35, que trata do Trabalho em Altura, fará, nesta quarta-feira (30), das 10h às 12h30, uma transmissão ao vivo para consulta pública do Anexo III (Escadas) da Norma Regulamentadora. O evento é uma iniciativa da Coordenação-Geral de Normatização e Programas do DSST/SIT, em parceria com a Federação das Indústrias de São Paulo (FIESP), e estará disponível no link www.fiesp.com.br/online.

O objetivo é favorecer uma ampla visibilidade ao tema, permitindo que toda a sociedade possa contribuir na construção deste importante instrumento normativo, que trata sobre proteção e segurança dos trabalhadores.

Canpat

Desde abril, o Ministério do Trabalho está realizando em todo país a Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Canpat), com o objetivo de sensibilizar a sociedade para a importância do desenvolvimento de uma cultura de prevenção de acidentes e doenças do trabalho tendo como foco os adoecimentos e as quedas com diferença de nível, ou seja, quando o trabalhador cai de locais altos, como plataformas elevadas, escadas ou andaimes.

Durante a campanha, que ocorre até novembro, o Ministério vai intensificar operações para diminuir as incidências de acidentes e lembrar trabalhadores e empregadores da necessidade de uma consciência sobre a gravidade do tema.

“Os temas foram escolhidos para a campanha deste ano pela sua relevância e serão tratados como prioridade pela Inspeção do Trabalho em 2018, principalmente porque notamos uma grande subnotificação ao Ministério do Trabalho dos acidentes relacionados a estes setores que vitimam milhares de trabalhadores”, explicou o ministro do Trabalho, Helton Yomura, durante lançamento da campanha.

Segundo o ministro, há um desconhecimento muito grande no país em relação ao tema. Ele pediu a todos os participantes que divulguem, em seus locais de trabalho, nas empresas ou nos sindicatos de trabalhadores, a necessidade de uma conscientização sobre o tema, principalmente pelos alarmantes números de acidentes que não são comunicados. “É uma conta que todos nós pagamos, desde o afastamento por doença, mutilações e até mortes que são impactantes tanto para o acidentado, para a empresa e para o governo”, ressaltou.

NR-35

A Norma Regulamentadora estabelece requisitos mínimos e as medidas de proteção para o trabalho em altura, envolvendo o planejamento, a organização e a execução, para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente com esta atividade. De acordo com a NR-35, o trabalho em altura envolve toda atividade executada acima de dois metros do nível inferior, onde haja risco de queda.

Pela norma, todo trabalho em altura deve ser realizado sob supervisão, e sua forma deve ser definida pela análise de risco de acordo com as peculiaridades da atividade. Considera-se trabalhador autorizado para trabalho em altura aquele capacitado, com estado de saúde avaliado e considerado apto para executar essa atividade.

Fonte: http://revistacipa.com.br/ministerio-do-trabalho-divulga-consulta-publica-na-nr-35-para-ampliar-visibilidade-do-tema/

OIT investigará o Brasil por violação a normas internacionais

Photo © Crozet / Pouteau

Data: 29/05/2018 / Fonte: Anamatra 

O Comitê de Peritos da OIT analisou a atual condição legislativa brasileira e concluiu que dispositivos da Lei nº 13.467/2017 ("reforma trabalhista") representam graves violações a normas de proteção internacional com as quais o país se comprometeu. O Brasil é país integrante da OIT desde a sua criação, em 1919, sendo compromissário das regras que são construídas a partir do diálogo internacional tripartite, entre representações de trabalhadores, empregadores e governos. Todavia, não as observou, conforme conclusão dos peritos.

Entenda o caso. Ano a ano é divulgada uma lista, conhecida como "long list", de casos que o Comitê de Peritos considera graves e pertinentes para solicitar, dos Estados-membros envolvidos, uma resposta oficial completa, antes de lançar seus relatórios acerca do cumprimento de determinadas normas internacionais. O Brasil figurou na "long list" em 2017, em razão da tramitação do então PL 6.787/2016 (reforma trabalhista). Ao final, porém, o caso não foi incluído na "short list" - ou seja, dentre os 24 casos considerados mais graves para apreciação no decorrer da Conferência Internacional -, basicamente porque o projeto de lei ainda não era definitivo e seguia tramitando no Congresso Nacional. Ali já se via, entretanto, uma sinalização forte quanto à necessidade de o país reafirmar o seu compromisso com as agendas do trabalho decente, o que inclui a observância das normas básicas de proteção à pessoa trabalhadora. O "caso Brasil" continuou sendo monitorado internacionalmente.

No início deste ano, o Brasil voltou para a "long list" (dentre os mais de 40 casos graves selecionados), desta vez com observações bastante claras quanto à aparente inconvencionalidade de dispositivos que estão na Lei 13.467/2017. Havia muita expectativa sobre se, no decorrer da Conferência, o Brasil passaria a ser incluído na "short list", compondo o desonroso grupo dos países suspeitos de incorrerem nas mais emblemáticas violações do Direito Internacional do Trabalho em todo o planeta. Foi o que agora ocorreu, conforme decisão do Comitê de Aplicação de Normas Internacionais. O Comitê é um órgão independente composto por peritos jurídicos de diversos países, encarregados de examinar a aplicação das convenções e recomendações da OIT no âmbito interno dos Estados-membros. Com a decisão desta terça-feira, o Brasil está oficialmente na lista dos 24 piores casos selecionados para a discussão individual ao longo da Conferência, o que trará desgaste político internacional à representação do Governo.

"Short list" e violações do Direito Internacional do Trabalho. Após as ponderações preliminares de trabalhadores, empregadores e diplomatas brasileiros, o Comitê de Peritos apontou problemas relacionados sobretudo ao cumprimento dos termos da Convenção nº 98 (direito de sindicalização e de negociação coletiva), por ter identificado indícios de fomento legislativo a um tipo de negociação coletiva tendente a reduzir ou retirar direitos sociais, subvertendo a sua finalidade natural. A conclusão dos peritos aponta, portanto, para a necessidade de revisão dos arts. 611-A e 611-B da CLT, entre outros, na perspectiva de que não é viável preordenar negociação coletiva para redução ordinária de direitos ou diminuição de garantias, e tanto menos negociação direta entre trabalhador e empregador, sem intervenção sindical, para esse mesmo fim. Outra revisão fundamental sinalizada diz respeito ao art. 442 da CLT que, ao estimular contratos precários - o de "autônomos exclusivos" -, formalmente desvinculados de categorias profissionais, tende a excluir os respectivos trabalhadores das salvaguardas sindicais típicas reconhecidas na legislação.

A visão da Anamatra - O presidente da Anamatra, Guilherme Feliciano, observou que "a notícia consterna, mas não surpreende. A Anamatra alertou, desde o início da tramitação do PL 6.787/2016, para os riscos de uma alteração legislativa tão restritiva - e tão mal construída - sem o necessário diálogo com a sociedade civil organizada". 
Já a vice-presidente da Anamatra, Noemia Porto, que participa da Conferência representando a entidade, viu com preocupação a inserção do Brasil na lista."Não há dúvida de que fica abalada a credibilidade do país no plano internacional, porque até então vinha sendo construída uma imagem positiva de compromisso com a cidadania, incluindo o respeito aos direitos dos trabalhadores. Isso foi rompido". A preocupação com o crescimento sustentável, que alie valor social do trabalho e livre iniciativa, é um compromisso estampado na Constituição do Brasil, diz. As inconvencionalidades inerentes à ideia de negociação coletiva com redução de direitos, de negociação direta entre trabalhador e empregador e de proliferação de contratos precários foram antecipadas pela Anamatra desde a tramitação do projeto de lei da reforma trabalhista, tanto nas notas técnicas publicadas como nas participações em audiências públicas. As inconstitucionalidades e inconvencionalidades da Lei nº 13.467/2017 também apareceram nas teses recentemente foram aprovadas no XIX CONAMAT, principal evento da Magistratura do Trabalho brasileira. 

Luciana Conforti, diretora de Cidadania e Direitos Humanos, que também participa da 107ª Conferência, acrescentou que a ANAMATRA já vinha documentando os impactos negativos da reforma trabalhista aferidos nos últimos 6 meses, dentre os quais as ameaças à independência judicial dos magistrados - pressionados publicamente por autoridades públicas para dedicarem ao texto legal interpretações de ordem literal -, a drástica redução do número de ações trabalhistas - diante das restrições impostas para o acesso à justiça, inclusive de trabalhadores pobres -, as demissões em massa associadas ao aumento da informalidade e da formalização de contratos precários e a crise no modelo de custeio das atividades sindicais. Para a diretora, a inclusão do Brasil na lista dos 24 piores casos ocorre como consequência da quebra dos princípios fundamentais do diálogo social e da negociação coletiva, que deve visar à melhoria das condições de trabalho. Na data de ontem a Anamatra protocolou ofício de caráter informativo, endereçado ao Diretor-Geral, versando sobre os aspectos acima referidos. 

Luciana Conforti referiu, por fim, que a Anamatra, considerando os tradicionais laços de cooperação norteadores de suas relações com a OIT há mais de uma década, já havia reportado ao Diretor-Geral Guy Rider quais eram os riscos da aprovação da reforma trabalhista como proposta, conforme ofício protocolado pela entidade no decorrer da 106ª Conferência Internacional do Trabalho.

Fonte: http://www.protecao.com.br/noticias/eventos/oit_investigara_o_brasil_por_violacao_a_normas_internacionais/Jyy5A5y5AJ/12434

segunda-feira, 14 de maio de 2018

MPT Lança campanha sobre direitos das gestantes

O Ministério Público do Trabalho (MPT) lançou no início de maio a campanha “Apoio. Toda grávida tem esse desejo”. A iniciativa tem como objetivo a sensibilização de empregadores e da população em geral sobre a importância de se respeitar os direitos das gestantes e lactantes no ambiente de trabalho.

O procurador-geral do MPT, Ronaldo Curado Fleury, enfatizou a relevância da campanha. “O objetivo é conscientizar, principalmente, as empresas sobre a importância do apoio às trabalhadoras gestantes e lactantes. As duas fases são períodos em que a criança está em formação – na barriga da mãe e, posteriormente, a fase inicial do bebê – onde toda a atenção é necessária”, explicou Fleury

O atual ocupante da cadeira do MPT no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Sebastião Vieira Caixeta, também destacou a importância da ação. “Esse é um conjunto de ações que tem hoje o lançamento de seu primeiro ato: uma campanha propositiva de sensibilização da comunidade para a valorização dos direitos – e muito mais do que isso, até mesmo a ampliação dos direitos – das gestantes. Na verdade, não só das gestantes, mas desse momento que envolve a maternidade”, explicou.

A coordenadora nacional da Coordigualdade, Valdirene de Assis, explica que “a Coordigualdade se soma à iniciativa com o propósito de defender a criança, a saúde da mulher e uma participação paritária do mercado de trabalho”. Valdirene de Assis ministrou, após a cerimônia de lançamento da campanha, palestra intitulada “Mãe e trabalhadora: o desafio da igualdade de gênero”.

Acesse, abaixo, as peças da campanha:



Fonte: http://revistacipa.com.br/mpt-lanca-campanha-sobre-direitos-das-gestantes/

Economia com ação antifraude de seguro-desemprego chega a quase R$1 bi

O sistema de Detecção e Prevenção à Fraude no Seguro-Desemprego (Antifraude) implantado pelo Ministério do Trabalho em dezembro de 2016 já proporcionou uma economia de quase R$ 1 bilhão aos cofres públicos até o final de março de 2018. Com quase 62 mil requerimentos bloqueados nesse período, o Antifraude chega perto de R$ 313,7 milhões em fraudes bloqueadas em todo o Brasil. “Esses recursos seriam levados por quadrilhas organizadas que, ao longo do tempo, fraudaram e roubaram o dinheiro dos cofres públicos, mas agora elas estão sendo identificadas e interceptadas, com o uso da tecnologia de ponta”, afirma o ministro do Trabalho, Helton Yomura.

A economia total, no montante exato de R$ 965.589.391,00 até agora, inclui a soma de R$ 313.695.406,00 em fraudes já bloqueadas e R$ 651.893.985,00 em ilícitos previstos. No primeiro caso, a fraude já ocorreu, mas o MTb conseguiu impedir o pagamento de parcelas previstas; no segundo, são consideradas fraudes evitadas desde o início do projeto, além de uma projeção da Coordenação do Seguro-Desemprego de ilícitos que seriam cometidos nos próximos 12 meses, mas que foram impedidos com o uso da tecnologia. “A previsão é de chegar ao total de R$ 1 bilhão em economia para os cofres públicos em breve”, explica o ministro.

Implantado no âmbito da Secretaria de Políticas Públicas de Emprego (SPPE), o sistema Antifraude é uma solução avançada de análise, que utiliza tecnologia de ponta para colher dados, informações e conhecimentos, subsidiando o processo de detecção de indícios de fraudes, conluios e riscos associados à gestão de recursos do Seguro-Desemprego, em todas as suas modalidades – Emprego Formal, Doméstico, Pescador e Bolsa Qualificação.

O secretário-executivo do MTb, Leonardo Arantes, explica que esta solução também inclui funcionalidades e recursos tecnológicos para auxiliar e alavancar as atividades de controle quando há manipulação, análise e tratamento de grandes volumes de dados. “Assim, construímos no Ministério do Trabalho uma Arquitetura de Informação, tipo Big Data, para combate à fraude”, diz.

Comportamento

Esse combate tem impacto sobre o comportamento dos criminosos. Os dados coletados pelo MTb mostram que no segundo semestre de 2016 o número de fraudes em requerimentos do benefício para Emprego Formal era crescente, chegando a quase 3,5 mil ocorrências por mês em novembro daquele ano – entre casos suspeitos e consolidados. Um mês depois de o sistema ser implantado, esses números começaram a declinar, chegando a menos de mil em abril de 2017. “Nós constatamos que os fraudadores começaram a migrar de uma modalidade para outra, quando perceberam que estavam sendo descobertos pelo Antifraude”, conta Arantes.

Essa migração se refletiu nas fraudes do seguro para Doméstico, que aumentaram já em janeiro de 2017, dois meses após a implantação do sistema, atingindo mais de 2,7 mil casos em maio do ano passado. Da mesma forma, houve aumento dos casos no benefício pago aos pescadores, que saíram de quase zero em outubro de 2016 para 983 em agosto de 2017.

À medida que a atenção dos fiscais se voltou para essas duas modalidades, as quadrilhas voltaram a atuar no seguro para Emprego Formal, retornando a quase 3 mil casos em outubro de 2017. Mas novamente a ação do MTb, com o Antifraude, contribuiu para reduzir esses números a 1,5 mil casos em fevereiro de 2018. Já os casos no Emprego Doméstico quase zeraram desde julho de 2017, enquanto na modalidade Pescador houve 200 casos no mês de fevereiro.

Apesar dessas tentativas dos fraudadores de escapar da fiscalização, o MTb bloqueou 41,8 mil requerimentos na modalidade Emprego Formal, que representavam R$ 241,4 milhões em fraudes. Outros 9,6 mil pedidos foram bloqueados para seguro Doméstico, totalizando mais de R$ 26 milhões. No benefício para pescadores, foram 7,8 mil casos, chegando a mais de R$ 27,7 milhões. A modalidade com menos casos foi a Bolsa Qualificação, com 2,6 mil fraudes e R$ 18,4 milhões bloqueados.

Fonte: http://revistacipa.com.br/economia-com-acao-antifraude-de-seguro-desemprego-chega-quase-r1-bi/

Julgamento sobre gratuidade da justiça é suspenso no STF

Nelson Jr./SCO/STF
Data: 10/05/2018 / Fonte: Anamatra 

Brasília/DF - "Este não é o debate de esquerda e direita. É sobre o que é melhor para os trabalhadores, sociedade e país. O que é melhor para distribuir a Justiça". A afirmação é do ministro Luís Roberto Barroso, ao proferir, nesta quinta (10/5), seu voto na a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5766, ajuizada pelo Procuradoria-Geral da República (PGR) contra dispositivos que alteram a gratuidade da justiça dos trabalhadores que comprovem insuficiência de recursos. O presidente da Anamatra, Guilherme Feliciano, acompanhou a sessão e foi citado, nominalmente, pelo relator, quando Barroso discorreu sobre o bom desempenho da Justiça do Trabalho. 

O voto do ministro Barroso, segundo esclareceu, foi pela "proporcionalidade e adequação". Nesse sentido, defendeu que os honorários devem ser custeados pela parte, desde que não excedam em 30% os créditos havidos em outros processos e que não incidam em valores inferiores ao teto da Previdência R$5,6 mil. Quanto ao pagamento das custas em caso de ausência injustificada em audiência, o ministro concorda que isso ocorra apenas se não houver justificação em um prazo de 15 dias. 

O julgamento foi suspenso após pedido de vista do ministro Luiz Fux. O ministro Edson Fachin, contudo, adiantou o seu voto no sentido da "completa inconstitucionalidade nas restrições impostas, como pagamento pela parte sucumbente mesmo sendo hipossuficiente; perda de razão pela ausência da parte na primeira audiência". Na avaliação de Fachin, um dos dispositivos da reforma trabalhista contraria princípio constitucional que é cláusula pétrea. "É preciso restabelecer a integralidade do direito fundamental de acesso à Justiça trabalhista pelos necessitados ou hipossuficientes", defendeu.

Para o presidente da Anamatra, a solução mais técnica e adequada para a questão, até para que o problema não repercuta e prossiga nas instâncias ordinárias, foi apontada pelo ministro Fachin. "O ministro sinalizou reconhecer a inconstitucionalidade material de várias passagens do novo texto legal e, notadamente, aquelas que restringem o acesso à justiça para o beneficiário da assistência judiciária gratuita", esclarece.

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Fonte: http://www.protecao.com.br/noticias/geral/julgamento_sobre_gratuidade_da_justica_e_suspenso_no_stf/Jyy5J9jyAn/12360

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Quedas com diferença de nível são a segunda principal causa de acidentes fatais no trabalho

Por esse motivo, a Campanha Nacional de Prevenção a Acidentes de Trabalho de 2018 (Canpat) decidiu dar ênfase ao problema

As quedas com diferença de nível representaram 10,6% dos registros de acidentes de trabalho reportados pelas empresas ao INSS no ano passado. Segundo dados do órgão, das 349.579 Comunicações de Acidentes de Trabalho (CATs) entregues em 2017 referentes a acidentes típicos e doenças, 37.057 foram relacionadas a quedas.

As quedas com diferença de nível chamam atenção pela gravidade. Quando contabilizados os acidentes fatais de trabalho, as quedas respondem por um percentual ainda maior: 14,49% do total. No ano passado, 161 das 1.111 mortes em ambiente de trabalho foram causadas por esse tipo de ocorrência.

Para a diretora do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho, Eva Patrícia Gonçalo Pires, a prevenção desses acidentes é um tema relevante em função do grande número de óbitos. “As quedas continuam representando uma das principais causas de acidentes graves e fatais. Ocorre que a prevenção desse tipo de acidente está muito bem definida, especialmente após a entrada em vigor da NR-35, que trata do trabalho em altura”, salienta.

Os locais onde mais ocorrem acidentes por queda são na construção civil, transporte de carga, comércio, hospitais e similares. Os principais agentes causadores desses acidentes são escadas (móveis, fixadas ou permanentes), andaimes e plataformas de edifícios ou estruturas e veículos motorizados (quedas de caçambas de caminhões, por exemplo). Das 161 mortes causadas por queda em 2017, 56 foram de trabalhadores que caíram de andaimes e plataformas e 34 de veículos – juntos, esses registros representaram 55,90% dos óbitos.

Os motoristas de caminhão são os profissionais que mais se acidentaram em quedas com diferença de nível em 2017 e lideram o número de mortes. Foram 1.782 acidentes e 16 óbitos. Mas somados os números de acidentes e óbitos causados por quedas, os trabalhadores da construção civil (serventes de obras e pedreiros) ultrapassam os motoristas, com 1.796 acidentes e 24 mortes.

Segundo o auditor-fiscal do Trabalho Jeferson Seidler, assistente-técnico do Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho, as Comunicações de Acidente de Trabalho não detalham a dinâmica dos acidentes registrados, mas considerando as análises realizadas pelo Ministério do Trabalho, as quedas mais graves entre os motoristas de caminhão ocorrem durante a manipulação da carga e na subida e descida da carroceria.

“A prevenção deste tipo de acidente se dá pela manipulação da carga apenas em locais adequados, com a instalação de cabos de aço (linha de vida) ou outros pontos seguros de ancoragem para o uso adequado de cinto de segurança contra quedas. Outra medida importante é, a depender do tipo de carga, a instalação de plataformas adequadas por parte dos embarcadores”, explica o auditor.

As obras da construção civil também oferecem múltiplos riscos de quedas, sejam de andaimes, passarelas, aberturas nos pisos dos andares ou vãos de elevadores. As medidas de proteção para prevenir acidentes nessa área estão especificadas na NR-18 que estabelece diretrizes sobre as condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção civil. Também merecem destaque as Recomendações Técnicas de Procedimento da Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), que detalham as medidas de prevenção mínimas para o cumprimento da NR-18.

Nas demais atividades predominam as quedas em escadas, inclusive as comuns dos prédios e locais de trabalho. A prevenção dessas quedas depende de dois fatores principais: instalação e manutenção de corrimão e fitas ou outros processos antiderrapantes e treinamento constante para o uso rotineiro do corrimão. “Em qualquer escada, em qualquer situação, quando a pessoa tem o costume de sempre descer ou subir escadas segurando no corrimão, o risco de quedas é extremamente reduzido”, explica Jeferson Seidler.

Uma das ações da Canpat 2018 foi a publicação do Manual Consolidado da NR-35 que traz orientações para empresas, trabalhadores e sociedade sobre os cuidados necessários para a redução dos riscos de quedas nas tarefas realizadas acima de dois metros de altura do solo

Os acidentes com quedas acontecem, na maioria das vezes, quando as normas de segurança são desrespeitadas e podem causar lesões simples, incapacitações permanentes e temporárias e, muitas vezes, a morte. Dos dez principais problemas decorrentes de quedas, cinco foram fraturas, a maioria nos membros inferiores e superiores do corpo.

Fonte: http://www.mundorh.com.br/quedas-com-diferenca-de-nivel-sao-segunda-principal-causa-de-acidentes-fatais-no-trabalho/

quinta-feira, 8 de março de 2018

A origem operária do 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher

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Para muitos, o 8 de Março é apenas um dia para dar flores e fazer homenagens às mulheres. Mas diferentemente de diversas outras datas comemorativas, esta não foi criada pelo comércio.

Oficializado pela Organização das Nações Unidas em 1975, o chamado Dia Internacional da Mulher era celebrado muito tempo antes, desde o início do século 20. E se hoje a data é lembrada como um pedido de igualdade de gênero e com protestos ao redor do mundo, no passado nasceu principalmente de uma raiz trabalhista.

Foram as mulheres das fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa que começaram uma campanha dentro do movimento socialista para reivindicar seus direitos - as condições de trabalho delas eram ainda piores do que as dos homens à época.


A origem da data escolhida para celebrar as mulheres tem algumas explicações históricas. No Brasil, é muito comum relacioná-la ao incêndio ocorrido em 25 de março de 1911 na Companhia de Blusas Triangle, quando 146 trabalhadores morreram, sendo 125 mulheres e 21 homens (a maioria judeus).

No entanto, há registros anteriores a essa data que trazem referências à reivindicação de mulheres para que houvesse um momento dedicado às suas causas dentro do movimento de trabalhadores.
As origens

Se fosse possível fazer uma linha do tempo dos primeiros "dias das mulheres" que surgiram no mundo, ela começaria possivelmente com a grande passeata das mulheres em 26 de fevereiro de 1909, em Nova York.

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Em 1913, as mulheres já protestavam pelo direito de votar nos Estados Unidos; nessa época, eram frequentes os protestos também por melhores condições de trabalho

Naquele dia, cerca de 15 mil mulheres marcharam nas ruas da cidade por melhores condições de trabalho - na época, as jornadas para elas poderiam chegar a 16h por dia, seis dias por semana e, não raro, incluíam também os domingos. Ali teria sido celebrado pela primeira vez o "Dia Nacional da Mulher".

Enquanto isso, na Europa também crescia o movimento nas fábricas. Em agosto de 1910, a alemã Clara Zetkin propôs em reunião da Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas a criação de uma jornada de manifestações.


"Não era uma questão de data específica. Ela fez declarações na Internacional Socialista com uma proposta para que houvesse um momento do movimento sindical e socialista dedicado à questão das mulheres", explicou à BBC Brasil a socióloga Eva Blay, uma das pioneiras nos estudos sobre os direitos das mulheres no país.

"A situação da mulher era muito diferente e pior do que a dos homens nas questões trabalhistas daquela época", disse ela, que é coordenadora da USP Mulheres.

A proposta de Zetkin, segundo os registros que se têm hoje, propunha uma jornada anual de manifestações das mulheres pela igualdade de direitos, sem exatamente determinar uma data. O primeiro dia oficial da mulher seria celebrado, então, em 19 de março de 1911.

EPA

Cartaz em Londres dizendo 'O futuro é feminino': mulheres de todo o mundo fazem marchas e protestos por direitos iguais na semana do 8 de Março

Em 1917, houve um marco ainda mais forte daquele que viria a ser o 8 de Março. Naquele dia, um grupo de operárias saiu às ruas para se manifestar contra a fome e a Primeira Guerra Mundial, movimento que seria o pontapé inicial da Revolução Russa.

O protesto aconteceu em 23 de fevereiro pelo antigo calendário russo - 8 de março no calendário gregoriano, que os soviéticos adotariam em 1918 e é utilizado pela maioria dos países do mundo hoje.

Após a revolução bolchevique, a data foi oficializada entre os soviéticos como celebração da "mulher heroica e trabalhadora".
Oficialização

O chamado "Dia Internacional da Mulher" só foi oficializado em 1975, ano que a ONU intitulou de "Ano Internacional da Mulher" para lembrar suas conquistas políticas e sociais.

"Esse dia tem uma importância histórica porque levantou um problema que não foi resolvido até hoje. A desigualdade de gênero permanece até hoje. As condições de trabalho ainda são piores para as mulheres", pontuou Eva Blay.

"Já faz mais de cem anos que isso foi levantado e é bom a gente continuar reclamando, porque os problemas persistem. Historicamente, isso é fundamental."

No mundo inteiro, a data ainda é comemorada, mas ao longo do tempo ganhou um aspecto "comercial" em muitos lugares.

O dia 8 de março é considerado feriado nacional em vários países, como a própria Rússia, onde as vendas nas floriculturas se multiplicam nos dias que antecedem a data, já que homens costumam presentear as mulheres com flores na ocasião.

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Em muitos países, a tradição do 8 de Março é de que as mulheres ganhem flores

Na China, as mulheres chegam a ter metade do dia de folga no 8 de Março, conforme é recomentado pelo governo - mas nem todas as empresas seguem essa prática.

Já nos Estados Unidos, o mês de março é um mês histórico de marchas das mulheres.

No Brasil, a data também é "comemorada" com protestos em todas as principais cidades do país, com reivindicações sobre igualdade salarial e protestos contra o aborto e a violência contra a mulher.

"Certamente o 8 de Março é um dia de luta, dia para lembrarmos que ainda há muitos problemas a serem resolvidos, como os da violência contra a mulher, do feminicídio, do aborto, e da própria diferença salarial", observou Blay.

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Protestos são grandes em cidades como Washington

Segundo ela, mesmo passadas décadas de protestos das mulheres e de celebração do 8 de Março, a evolução ainda foi muito pequena.

"Acho que o que evoluiu é que hoje a gente consegue falar sobre os problemas. Antes, se escondia isso. Tudo ficava entre quatro paredes. Antes, esses problemas eram mais aceitos, hoje não."

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-43324887

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

QUAL A DIFERENÇA ENTRE PREGUIÇA, CANSAÇO E ESTAFA?

Cansaço excessivo pode ser sinal de doença, fique atento

Na correria do dia a dia, muitas pessoas se deparam com uma extensa quantidade de afazeres para dar conta. É trabalho, filhos, casa e, ainda, ter tempo para a vida social. E com esse excesso de atividades, muitas vezes, surge a sensação de que algo não está bem: indisposição e desânimo, falta de vontade para realizar as tarefas. Isso tudo, no fim das contas, não se sabe se é preguiça, cansaço ou estafa. Pensando em esclarecer essa dúvida, a especialista em Saúde Coletiva e professora do Programa de Pós-graduação em Enfermagem da Universidade UNIVERITAS/UNG, Maíra Rosa Apostolico, explica a diferença.

Qual a diferença entre preguiça, cansaço e estafa?

A preguiça relaciona-se com a pouca disposição ou lentidão para o trabalho; cansaço representa a fadiga gerada pelo trabalho; e a estafa é colocada como sinônimo de cansaço. Estes são os usos populares dos termos, embora do ponto de vista de saúde, podem ter uma compreensão diferente.
A preguiça não é considerada uma patologia ou estado de saúde, mas um estado de disposição para a atividade, apontada muitas vezes como limite que antecede o desempenho de atividades físicas ou mentais e adoção de novos hábitos. O cansaço por si só é também um estado de disposição pessoal embora seja posterior à atividade. A estafa, sim, está relacionada a um estado de saúde, associado ou não a outras patologias físicas, e que pode chegar ao comprometimento do desempenho de atividades cotidianas das pessoas. Um conceito que vem sendo bastante difundido é o de Burnout ou Síndrome de Burnout, considerada uma reação de estresse e se manifesta como uma exaustão física e emocional, sentimento de frustração e fracasso, relacionado com o ambiente de trabalho.

Por que é tão difícil identificar a diferença entre eles?

A dificuldade maior está em determinar os limites entre um e outro, já que os três termos se relacionam com a disposição do indivíduo para suas atividades. Entretanto, devemos observar o grau de comprometimento no desempenho dessas atividades para determinar a diferenciação. Importante ressaltar, que cada indivíduo tem respostas próprias aos acontecimentos da vida, à rotina de trabalho, aos sucessos e desafios do dia a dia. Portanto, o que pode ser pouco limitante para um, pode ser muito para outros.

O que desencadeia essas sensações?

Na atualidade, as relações sociais têm se modificado muito. Há diversos tipos de estressores presentes no nosso dia a dia e que provocam diferentes reações nos indivíduos. As pessoas apresentam flutuações de afeto que são inerentes das relações humanas. Entretanto, algumas pessoas persistem em quadros chamados depressivos, caracterizados pela menor disposição frente às demandas e acontecimentos. Há também as causas relacionadas à atividade laboral. Já se sabe que algumas profissões demandam mais recursos emocionais e físicos dos trabalhadores, impondo-lhes uma carga maior de estressores. E ainda, não se pode afastar causas físicas e orgânicas para estes sintomas, que podem ter diferentes origens.

Como cada um influencia no desempenho físico e mental?

É difícil traçar um modelo ou um padrão, pois cada pessoa responde de uma maneira muito própria e constrói mecanismos de superação, também, muito particulares. O comprometimento pode ser desde um simples desinteresse até a incapacidade para desempenhar atividades comuns da vida cotidiana, ou específicas do trabalho. O importante é o indivíduo avaliar o seu próprio contexto de vida, suas necessidades e de que forma elas estão comprometidas. Mas é extremamente relevante observar os sinais que o corpo e a mente apontam: se o corpo diz que algo não vai bem, talvez seja preciso modificar hábitos, horários, rotinas para respeitar os próprios limites. Atualmente, há um interesse muito grande em medicalizar tudo, inclusive sentimentos, sofrimentos cotidianos, estados de espírito e o próprio cansaço, sem se observar de fato o que está provocando este quadro. Procurar saber o que está nos deixando doentes. Isso nos chama a atenção para o desrespeito aos nossos limites e responsabilização dos indivíduos por um modo de vida que nem sempre condiz com a necessidade ou a realidade.

A urgência que a sociedade de hoje exige e a rotina atarefada podem ser considerados os principais causadores de tudo isso?

As elevadas exigências no mundo do trabalho cada vez mais competitivo; a individualidade valorizada acima do interesse coletivo; a exposição ao trânsito, à violência, às dificuldades econômicas; a falta de tempo; mas, sobretudo, a frustração gerada nos sujeitos pela não satisfação de necessidades, muitas vezes fabricadas pela lógica do consumo excessivo e o status que o “ter” tem representado para as pessoas podem ser algumas das causas. Se por um lado, a maioria da população responde aos desafios de forma positiva, superando e construindo formas de se adaptar, outras pessoas transformam essas frustrações em sintomas físicos e mentais, caminhando para a fadiga e até para a depressão. Importante lembrar que esse fenômeno afeta a todos, independentemente de idade, sexo, condição social, embora as formas de satisfação das necessidades e frustrações sejam distintas a depender dos recursos pessoais, sociais e econômicos que as pessoas possuem.

Ter preguiça é algo comum e saudável? Se sim, o quanto pode ser benéfico tirar um dia inteiro para “curtir uma preguiça”?

Não se trata de dizer que é saudável ou não. Também depende de que perspectiva se interpreta o termo preguiça. Na perspectiva do mundo atual, produtivo, ininterrupto, pode-se dizer que é uma coisa ruim. Por outro lado, quando se analisa o contexto e as cobranças sociais excessivas a que os indivíduos estão sujeitos, o “momento de preguiça” é muitas vezes, de lazer, de desfrute com a família, de descanso. Vivemos hoje, em uma lógica de produção e consumo que nem sempre admite que o sujeito “relaxe” ou aproveite momentos menos acelerados ou intensos. É como se o tempo todo as pessoas tivessem que produzir algo material e sentem-se culpadas ao agirem diferente. Nos esquecemos que momentos de descontração também podem significar uma oportunidade de criatividade e imaginação. Nesta perspectiva, o “dia de curtir a preguiça” pode ser muito benéfico.

Cansaço excessivo pode ser sinal de doença? Se sim, qual ou quais seriam essas enfermidades?

Pode sim. Há diversas doenças que tem como manifestação clínica o cansaço, como distúrbios hormonais, cardiovasculares e metabólicos. Uma avaliação criteriosa do estado de saúde, incluindo avaliação nutricional e física são fundamentais para diferenciar o cansaço proveniente da sobrecarga do cansaço como sintoma de doença. Entretanto, insisto no ponto de que a rotina deve ser igualmente analisada, buscando-se identificar não só os estressores biológicos, mas sociais também. É importante que antes de medicalizar ou querer dar nome de doença ao cansaço, o contexto de vida seja considerado e reformulado.

Quando é necessário procurar um profissional para saber a causa de tanto desânimo e se isso já se tornou algo prejudicial para a saúde?

Sempre que as chamadas flutuações de afeto forem persistentes e limitarem o desempenho das atividades cotidianas das pessoas, sua causa deve ser investigada. Manter os exames de saúde periódicos em dia é fundamental para um diagnóstico precoce de qualquer quadro mais grave.

Como fazer para combater cada um desses três problemas?

O que precisamos fazer é aprender a interpretar os sinais que o nosso corpo nos transmite, entendendo quando é tempo de reformular a vida, naquilo que é possível reformular. Ignorar tais sinais fará com que haja comprometimentos físicos e mentais, agravando e transformando o cansaço em fadiga crônica, em crises de estresse e outros quadros mais graves. Falamos muito da atividade laboral, mas não podemos esquecer do trabalho doméstico não remunerado, que também é uma atividade causadora de sobrecarga, muito negligenciada, pouco reconhecida e que afeta em geral, as mulheres. Portanto, rever o modo de vida, dentro do possível, dedicar-se a uma atividade laboral que também satisfaça preferências pessoais, elencar prioridades na rotina diária, ter uma rotina de horários e hábitos, dividir tarefas domésticas entre os membros da família, manter uma alimentação saudável, rica e variada, praticar atividades físicas, ter momentos de lazer sozinho, com a família e com amigos, entre tantas outras práticas. Enfim, ocupar-se não só das obrigações, mas também de atividades prazerosas. Atividades de voluntariado têm sido associadas à satisfação individual e coletiva, motivando as pessoas e gerando sentimentos de pertença, reconhecimento, capacidade e satisfação.

Fonte: http://www.mundorh.com.br/qual-diferenca-entre-preguica-cansaco-e-estafa/