terça-feira, 31 de outubro de 2017

Os exames médicos no contexto organizacional

Pixabay

Não é fácil detectar uma doença no candidato na hora da contratação

Como acontece nos processos seletivos das empresas, é humanamente impossível a certeza absoluta de estar se admitindo o candidato ideal ao cargo. Mesmo com a sofisticação dos processos de seleção, com a utilização de testes psicológicos, grafologia, dinâmicas em grupo e entrevista, ainda assim, o candidato dissimula, mente, engana e, em não raras oportunidades, acaba ocupando uma função para a qual não preencheria todos os requisitos.

Quando se fala em PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), especialmente no exame admissional, a questão é bem parecida. Não é fácil detectar uma doença no candidato, exceto com a colaboração deste. Longos questionários podem ser aplicados, mas se o examinado faltar com a verdade, só saberemos disso mais tarde. Algumas manobras também podem ser executadas, mas se o trabalhador conhecer o mínimo do protocolo, não dará nenhum sinal que evidencie a doença. Até mesmo os exames complementares podem ser burlados se o candidato, por exemplo, coletar material de outro candidato. Infelizmente, o médico não possui bola de cristal e, exceto se possuir uma vasta experiência na medicina do trabalho, corre o risco de ser enganado pelo examinado.

Infelizmente, as empresas postergam o exame admissional, realizando-o somente após o empregado já ter iniciado suas atividades, comprando gratuitamente um passivo trabalhista. Porém, é necessário esclarecer que o exame admissional não se trata de método infalível e advinhatório do futuro. Não é possível, ao menos com grande margem de incerteza, afirmar que aquele trabalhador que está sendo examinado neste momento não apresentará qualquer doença, inclusive que poderia deixá-lo inapto ao trabalho.

Há uma matriz de motivos pelos quais um trabalhador poderia, após algum tempo de trabalho, ser acometido por doença que o torne inapto ao trabalho, a exemplo da idade, o tipo de atividade desempenhada, ambiente de trabalho etc. Assim, há dúvidas se um exame admissional seria um instrumento confiável e conseguiria satisfazer as dúvidas da empresa.

Ainda que um exame fosse realizado sob o critério de selecionar super trabalhadores, sem doenças e com ótimo potencial de produtividade, o mercado de trabalho atual não dispõe de tantos candidatos disponíveis em um processo seletivo. Experimentamos um momento de carência de empregados, especialmente os qualificados, apesar da crise que vivemos.

Há um óbvio conflito de interesses envolvendo o médico do trabalho, a empresa e o futuro empregado. O médico está “amarrado” ao código de ética da profissão. A empresa não quer contratar empregados doentes. O candidato a emprego, ainda que portador de patologia, não quer ser discriminado. Além do que, há ainda restrição legal contra a discriminação por sexo, raça, porte físico ou deficiência física ou mental.

A simulação que ocorre perante a perícia médica também é um sério problema para a medicina do trabalho. A incapacidade realmente pode existir nos primeiros tempos, no entanto, passado o verdadeiro período de incapacidade, o trabalhador quer continuar sob benefício da Previdência Social, quando então simula sua condição física. O fator incentivador para a manutenção do benefício previdenciário é que, em alguns casos, este é maior que o próprio salário do trabalhador.

O mesmo também ocorre com os atestados médicos. Os atestados oriundos de médicos externos à empresa devem sofrer o crivo do médico do trabalho da empresa, que avaliará o atestado, inclusive quanto à sua autenticidade, validando-o ou não, vez que o médico do trabalho da empresa, hierarquicamente, pode assim fazer.

O médico examinador deve ter a livre opção de solicitar exames complementares. Porém, algumas empresas, tentando economizar, proíbem o pedido de exames complementares. Mas o que fica mais barato? Uma ressonância de coluna ou uma indenização por hérnia de disco devido má formação congênita? As empresas são muito resistentes quanto ao investimento em candidatos, preferindo fazê-lo nos empregados, mas um exame admissional criterioso pode inibir ou reduzir um custoso processo por indenização por doença.

Por Antonio Carlos Vendrame, diretor da Vendrame Consultores Associados

Fonte:http://www.mundorh.com.br/os-exames-medicos-no-contexto-organizacional/

Ministério divulga lista suja do trabalho escravo

Sergio Carvalho
Data: 28/10/2017 / Fonte: EBC 

Brasília/DF - O Ministério do Trabalho divulgou o cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas às de escravo, conhecida como "lista suja". A publicação tem informações sobre 131 empregadores autuados em fiscalizações e detalha dados como o número de trabalhadores flagrados nas condições irregulares, endereço do estabelecimento e a data em que ocorrência foi registrada. A lista tem informações desde 2010.

O cadastro foi divulgado após transitada em julgado na Justiça do Trabalho do Distrito Federal ação protocolada em 2016 pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em que, segundo o órgão, a União descumpria ordem judicial que a obrigava a publicar o cadastro dos empregadores condenados administrativamente pelas infrações e atualizá-lo a cada seis meses no máximo. O descumprimento da medida levaria à aplicação de multa diária no valor de R$ 10 mil.

A sentença da Justiça do Trabalho coincidiu com outra decisão sobre a lista suja, na semana passada. Por meio de liminar, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber suspendeu os efeitos de portaria do Ministério do Trabalho que estabelecia novas regras para a caracterização de trabalho análogo ao escravo e para atualização do cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a tal condição.

As novas normas serviriam também para a concessão de seguro-desemprego ao trabalhador que for resgatado em fiscalização do Ministério do Trabalho. A medida da pasta gerou reações contrárias de entidades e organismos internacionais.

A decisão de Rosa Weber acolheu os argumentos do partido Rede Sustentabilidade, segundo o qual a portaria abre margem para a violação de princípios fundamentais da Constituição, entre eles, o da dignidade humana, o do valor social do trabalho e o da livre iniciativa. A liminar da ministra tem validade até o julgamento da ação pelo plenário da Corte.

Fonte: http://www.protecao.com.br/noticias/geral/ministerio_divulga_lista_suja_do_trabalho_escravo/JyyJAcjaAc/11848

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Dia Nacional da Segurança e Saúde nas Escolas

Data: 10/10/2017 / Fonte: Fundacentro

A Lei Federal nº 12.645 de 16 de maio de 2012 instituiu o 10 de outubro como o Dia Nacional da Segurança e Saúde nas Escola com o intuito de promover a aproximação entre a escola e o mundo da Saúde e Segurança no Trabalho (SST).

Para contribuir nessa ação, a Fundacentro desenvolveu uma cartilha que ajuda as escolas, educadores e profissionais envolvidos a incorporar a temática SST ao cotidiano escolar.

Para fazer o download da cartilha, clique no link a seguir: goo.gl/JRitv2


Fonte: http://www.protecao.com.br/noticias/geral/dia_nacional_da_seguranca_e_saude_nas_escolas/JyyJAQjbA5/11795

OMS: empresas devem promover saúde mental de funcionários

EBC

Data: 10/10/2017 / Fonte: ONU - Nações Unidas do Brasil 

No Dia Mundial da Saúde Mental, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lembra a importância de empresas e gestores do mundo todo adotarem iniciativas que promovam o bem-estar físico e psicológico de funcionários no ambiente de trabalho.

"Durante nossa vida adulta, uma ampla proporção do nosso tempo é gasta no trabalho. Nossa experiência no local de trabalho é um dos fatores que determinam nosso bem-estar geral", disse a OMS.

"Empregadores e gestores que adotam iniciativas para a promoção da saúde mental no local de trabalho e apoiam funcionários que têm transtornos mentais veem ganhos não apenas na saúde de seus funcionários, mas também em sua produtividade", completou.

Segundo a OMS, um ambiente de trabalho negativo pode levar a problemas de saúde física e mental de trabalhadores, além do uso abusivo de drogas ou álcool, faltas e perda de produtividade.

Globalmente, mais de 300 milhões de pessoas sofrem com a depressão, principal causa de incapacidade. Mais de 260 milhões vivem com transtornos de ansiedade. Muitas dessas pessoas vivem com ambos os transtornos.

"A depressão e os distúrbios de ansiedade são transtornos mentais comuns que têm impacto em nossa habilidade de trabalhar e de trabalhar de maneira produtiva", disse a agência da ONU.

Estudo recente liderado pela OMS estimou que os transtornos depressivos e de ansiedade custam 1 trilhão de dólares à economia global a cada ano em perda de produtividade.

A saúde mental no trabalho é o tema do Dia Mundial da Saúde Mental de 2017. O dia é lembrado em 10 de outubro, com o objetivo de alertar sobre o tema e mobilizar esforços para apoiar uma melhor saúde mental de todos.

Fatores de risco
O bullying e o assédio psicológico são frequentes causas de estresse relacionado ao trabalho e apresentam riscos à saúde de trabalhadores, lembra a OMS. Eles estão associados tanto a problemas físicos como psicológicos. As consequências em saúde podem ter custos aos empregadores em termos de produtividade reduzida e aumento da rotatividade de pessoal. Também podem ter impacto negativo nas interações familiares e sociais.

A ameaça do desemprego é outro fator de risco reconhecido que pode ocasionar problemas de saúde mental, enquanto retornar ou obter um emprego são considerados fatores protetivos.

A maior parte dos fatores de risco também está relacionada ao tipo de trabalho, ao ambiente organizacional e de gestão, às capacidades e competências dos funcionários, e ao apoio disponível a trabalhadores para realizarem seu trabalho. Por exemplo, uma pessoa pode ter as capacidades para concluir tarefas, mas poucos recursos disponíveis para fazê-lo, ou pode não ter apoio das práticas organizacionais ou de gestão.

Outros riscos para a saúde mental incluem políticas inadequadas de saúde e segurança; falta de comunicação e de práticas de gestão; participação limitada na tomada de decisões por parte dos funcionários ou baixo controle sobre uma área de trabalho; baixos níveis de apoio a funcionários; jornadas de trabalho inflexíveis; e falta de clareza na determinação das tarefas ou de objetivos organizacionais.

Os riscos também podem estar relacionados ao conteúdo do trabalho, como tarefas inadequadas às competências dos funcionários ou uma carga de trabalho elevada. Alguns empregos podem ter um maior risco pessoal que outros (por exemplo, o trabalho humanitário), o que pode ter impacto na saúde mental e provocar sintomas de transtornos mentais ou levar ao abuso de álcool e drogas psicoativas. O risco pode ser aumentado em situações onde há uma falta de coesão na equipe ou apoio social.

Criando um ambiente de trabalho saudável
Um elemento importante para criar ambientes de trabalho saudáveis é desenvolver legislação, estratégias e políticas governamentais sobre o tema, de acordo com a OMS. Ambiente de trabalho saudável pode ser descrito como aquele em que trabalhadores e gestores contribuem ativamente para o a promoção e proteção da saúde, segurança e do bem-estar de todos os funcionários.

Guia recente publicado pelo Fórum Econômico Mundial sugere que as intervenções nas organizações devem ter três abordagens: proteger a saúde mental reduzindo os fatores de risco relacionados ao trabalho; promover a saúde mental ao desenvolver aspectos positivos de trabalho e as habilidades dos empregados; enfrentar casos de problemas de saúde mental independentemente da causa.

O guia também enfatiza passos que as empresas podem tomar para criar um ambiente de trabalho saudável, incluindo: conhecimento sobre o ambiente de trabalho e sobre como ele pode ser adaptado para promover uma melhor saúde mental para diferentes empregados; aprender com as motivações de líderes organizacionais e empregados que tomaram atitudes nesse sentido; não tentar "reinventar a roda" e descobrir o que outras empresas fizeram.

Outras medidas incluem entender as oportunidades e necessidades dos empregados individualmente, ajudando a desenvolver melhores políticas para a saúde mental no ambiente de trabalho. O guia também sugere alertar funcionários sobre ferramentas de apoio e sobre onde eles podem encontrar ajuda dentro ou fora da organização.
Segundo a OMS, as intervenções de saúde mental precisam ser entregues como parte de uma estratégia integrada de saúde e bem-estar que cubra prevenção, identificação precoce, apoio e reabilitação.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) também tem um guia para ajudar as empresas a melhorar o ambiente de trabalho de forma a garantir a saúde mental de seus trabalhadores (clique aqui para acessá-lo, em inglês).

Apoiando pessoas com transtornos mentais no trabalho
A OMS lembra ainda que as organizações tem responsabilidade de apoiar indivíduos com transtornos mentais tanto para continuar como para retornar ao trabalho.

Muitas iniciativas podem ajudar indivíduos com transtornos mentais. Particularmente, a flexibilidade da jornada de trabalho, o redesenho do trabalho, o enfrentamento de dinâmicas negativas do ambiente e a comunicação sobre apoio confidencial podem ajudar pessoas com transtornos mentais a continuar ou retornar ao trabalho.

Além disso, o acesso a tratamentos baseados em evidências demonstraram ser benéficos para a depressão e outros transtornos mentais. Por conta do estigma associado a esses transtornos, os empregadores precisam garantir que indivíduos se sintam apoiados e capazes de pedir ajuda para continuar ou retornar ao trabalho, e tenham os recursos necessários para isso.

Fonte: http://www.protecao.com.br/noticias/geral/oms:_empresas_devem_promover_saude_mental_de_funcionarios/JyyJAQjbAJ/11795

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

4 de outubro, Dia da Medicina do Trabalho

Divulgação

Data: 04/10/2017 / Fonte: Anamt 

O 4 de outubro é dia de celebrar a Medicina do Trabalho. E não há celebração maior do que honrar o legado de Bernardino Ramazzini que, em 1700, introduziu uma pergunta simples ao roteiro de anamnese médica e mudou para sempre nossa maneira de olhar os pacientes, enxergando-os como trabalhadores: que arte exerce?

Mais de 300 anos depois de Ramazzini, parece tão óbvio que o trabalho ocupe um importante papel no processo saúde-doença, mas vale lembrar que nem sempre foi assim. Apesar de o primeiro relato de uma doença relacionada ao trabalho ter sido feito muito antes da Era Cristã, por Hipócrates, há muito que o mundo aceita como "natural" o adoecimento relacionado ao trabalho. Até hoje, termos como "riscos inerentes ao trabalho" permeiam nossas leis e nosso vocabulário, como se não fossem passíveis de modificação. São sim! Então, neste 4 de outubro precisamos lembrar que o trabalho pode ser modificado e que adoecer não é um destino natural para muitos trabalhadores.

Em meus devaneios, gosto de imaginar o pai da Medicina do Trabalho imerso em seus escritos, olhando para o horizonte e enxergando pela primeira vez um trabalhador em seu ofício. Fecho meus olhos e sou capaz de ver Ramazzini descobrindo este novo cenário, o que o levou a uma observação sistemática dos trabalhadores, nunca antes vista. Eis, então, sua imensa contribuição à medicina - algo que nos faz eternamente gratos.

Ramazzini jogou a luz de seu olhar sobre uma classe habitualmente esquecida e menosprezada. Um dos trechos mais lindos de "Morbis Artificum Diatriba", traduzido para o português como "As Doenças dos Trabalhadores", descreve como deve ser a postura do médico que atende um trabalhador. Diz Ramazzini, "o médico que vai atender um operário não deve se limitar a por a mão no pulso, com pressa, sem informar-se de suas condições; não delibere de pé sobre o que convém ou não fazer,…; deve sentar-se com a dignidade de um juiz, ainda que não seja em cadeira dourada… sente-se mesmo num banco, examine o paciente com fisionomia alegre e observe detidamente o que ele necessita dos seus conselhos médicos e dos seus cuidados preciosos".

De um jeito muito próprio, Ramazzini delineou os elementos básicos da medicina social ou, como tratamos atualmente, da saúde coletiva. Ele nos ensinou como observar o trabalho, tirando o médico de seu consultório e levando-o ao campo para conversar com os trabalhadores e aprender com eles. Trouxe uma visão coletiva que muito contribuiu para o que hoje chamamos de instrumental clínico-epidemiológico. Organizou pela primeira vez as relações de causa e efeito das doenças profissionais ou adquiridas por condições específicas de trabalho. E sugeriu cuidados para prevenir as doenças dos trabalhadores.

Mais do que celebrar a Medicina do Trabalho, o 4 de outubro é dia de honrar o legado de Ramazzini, reafirmando nosso compromisso com esta especialidade médica que lida com as relações entre homens e mulheres trabalhadores e seus respectivos ofícios, visando não somente a prevenção dos acidentes e das doenças do trabalho, mas a promoção da saúde e da qualidade de vida. Nosso trabalho é assegurar a melhoria contínua das condições de saúde, nas dimensões física e mental, e a interação saudável entre as pessoas e, estas, com seu ambiente social e o trabalho.

Nada pode nos orgulhar mais do que esta desafiadora missão. Por isso, hoje é dia de celebrar o que fazemos. E quando alguém desavisado, perguntar a você o que, afinal, faz um médico do trabalho, você pode encher o peito e dizer com orgulho - "eu promovo a saúde dos trabalhadores brasileiros". E quiçá, de todos os trabalhadores.

Abraços afetuosos a todos os médicos e médicas do trabalho,

Dra. Marcia Bandini

Presidente da ANAMT (2016-2019)

Fonte: http://www.protecao.com.br/noticias/geral/4_de_outubro,_dia_da_medicina_do_trabalho/JyyJAQjgA5/11784