Programa de treinamento é coordenado pela área de Higiene e Pós da entidade
A sílica cristalina e o asbesto, agentes químicos considerados carcinogênicos pela Organização Mundial da Saúde, por vários estudos, inclusive da Fundacentro, estão sendo pesquisados por alunos do curso do Programa Pós–Graduação da Fundacentro, o Mestrado Stricto Sensu “Trabalho, Saúde e Ambiente” e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O Programa de Treinamento para coleta de poeira respirável e para análise de sílica cristalina e asbesto, em sua 8ª edição, tem como objetivo capacitar os técnicos para coleta de material particulado suspenso no ar de acordo com normas, métodos e procedimentos validados.
Coordenado pela pesquisadora da Coordenação de Higiene do Trabalho, Ana Maria Tibiriçá Bon, em parceria com a coordenadora de Pós-graduação da Fundacentro, Teresa Cristina Nathan Outeiro Pinto, Ana explica que o objetivo de um Programa dessa natureza é capacitar os profissionais para trabalhos em campo, estimulando-os a realizarem uma avaliação ambiental representativa dos locais de trabalho. Também se busca preparar os profissionais para que eles possam realizar uma análise crítica se as condições encontradas em campo são aquelas planejadas na estratégia de amostragem ou se serão necessários ajustes em função da realidade observada.
Dividido em parte teórica e prática, o Programa deve oferecer ao aluno melhor aptidão quanto à representatividade das amostras coletadas e com isso obter melhor aderência, seja na avaliação da exposição do trabalhador, como na avaliação de medidas de controle, explica a coordenadora.
Com carga horária de 30 horas, o Programa é direcionado aos alunos que possuam projeto que envolva coleta de campo, sendo oferecido certificado de estágio.
A percepção dos alunos
Ana Tibiriçá ressalta a importância de realização desse Programa como parte de um processo a ser cumprido. Para ela, é necessário que o profissional da área de Higiene Ocupacional tenha desenvolvido “feeling” para avaliação ambiental.
A coordenadora explica ainda que os trabalhos de campo das pesquisas que envolvem alunos de mestrado são desenvolvidos em função do tema, objetivo e aderência com os projetos desenvolvidos na Fundacentro. Como exemplo, Ana destacou um aluno que irá trabalhar com um tema voltado para o artesanato de pedra sabão, onde os trabalhadores são expostos a particulado de talco, podendo adquirir talcose.
A talcose pode ser agravada quando o talco tem como contaminantes a sílica cristalina e fibras de asbestos e, nesse caso, será utilizada a avaliação ambiental quantitativa do material particulado no ar, a fim de verificar o quanto esse talco possui desses contaminantes.
Outro caso será a pesquisa de mestrado de uma aluna de pós-graduação na área de toxicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, co-orientanda de Ana Tibiriçá que irá estudar os biomarcadores precoces de exposição à sílica e asbestos.
Para executar a atividade de coleta é necessário preparar uma série de materiais nos laboratórios da Fundacentro. Isso requer planejamento e recursos para o estabelecimento da estratégia e logística da coleta das amostras para cada trabalho de campo. Os equipamentos devem chegar em perfeitas condições no local onde será realizada a coleta, assim como, deverão retornar ao laboratório em perfeitas condições para análise.
Ao longo do programa, a pesquisadora observou que a percepção dos alunos vai se modificando, na medida em que verificam ser necessário conhecer em detalhes as metodologias sobre a coleta e análise para depois realizarem o trabalho de campo. Contudo, Ana ressalta que é muito comum encontrar profissionais com algumas lacunas nos conhecimentos de Higiene Ocupacional e principalmente de que amostragem e análise de agentes químicos fazem parte de um único processo. “Percebo que as pessoas têm dificuldade para compreender que a amostra é parte de uma metodologia”, ressalta.
Para a pesquisadora, uma amostra mal coletada pode comprometer a qualidade do resultado das pesquisas desenvolvidas, assim como, o processo de tomada de decisão sobre as questões de segurança e saúde no trabalho das organizações. Daí a importância de se coletar uma boa amostra e obter bons resultados.
Um outro aspecto destacado pela professora é o fato de que os alunos que utilizarão dados quantitativos em seus projetos de mestrado precisam estudar com profundidade o assunto para que as suas dissertações apresentem resultados e informações que de fato possibilitem a melhoria das condições de trabalho.
O Programa de Treinamento de 2016 foi realizado no período de 21 a 25 de novembro.
Equipe dos laboratórios
No Laboratório de Instrumentação da entidade foram apresentados os procedimentos de preparação, calibração, carregamento de baterias, e descarregamento de dados das bombas de amostragem utilizadas na avaliação ambiental de particulados e os responsáveis são os técnicos, Teresa Cristina Nathan Outeiro Pinto, Nilce Aparecida Pastorello, Amarildo Aparecido Pereira e Glaucia Nascimento de Souza Veloso.
Já no Laboratório de Microscopia, Gravimetria e Difratometria de Raios (MLGD): na sala de gravimetria, a técnica Leila Cristina Alves Lima apresentou aos alunos a análise gravimétrica para filtros de membrana coletados em vários dispositivos de amostragem, de acordo com a NHO 03 e NHO 08; na sala de microscopia, a técnica Norma Conceição Amaral apresentou os procedimentos de amostragem e análise de fibras e na sala da Difração de Raios X (NHO 04), Ana Maria apresentou os procedimentos para preparação e análise qualitativa e quantitativa de sílica cristalina na fração respirável.
Fonte: http://www.fundacentro.gov.br/noticias/detalhe-da-noticia/2016/12/silica-cristalina-e-asbesto-sao-analisados-por-alunos-da-pos-graduacao